BILHETES À VENDA NO CINE-TEATRO CONSTANTINO NERYACERCA DO JAZZ COMPOSERS FORUMVER PROGRAMA COMPLETO
  • Acerca do Jazz Composers Forum

     

    A cidade de Matosinhos está habituada ao seu papel de porta de entrada à beira do Atlântico, promovendo os contactos e as trocas entre a Europa e a América. Inspirando-se nessa vocação, a Orquestra Jazz de Matosinhos programou este ciclo de oito concertos centrados em oito importantes criadores contemporâneos de música para orquestra de jazz, confrontando as personalidades musicais de quatro americanos e quatro europeus.

     

    O tempo em que a OJM era exclusivamente uma orquestra de autores, dos seus autores, não vai tão distante como isso. Desde 1999, Pedro Guedes e Carlos Azevedo souberam fazer da big band que dirigem um tubo de ensaio para a emergência de um corpo de música nacional para este tipo de formação, algo que nunca antes tinha existido no nosso panorama musical. Alimentada regularmente com novas composições e novos arranjos, a orquestra transformou-se numa voz do novo jazz português para grande ensemble. Por outro lado, ao servir a pena de outros compositores nacionais que não os seus directores, tornou-se um instrumento precioso ao dispor dos criadores. Não é fácil ter acesso a um grupo de quase 20 músicos de jazz, tão experimentados como instrumentistas de naipe quanto no papel de solistas. E tão intimamente ligados à história do jazz nesta região.

     

    Hoje, como há década e meia, a OJM agarra-se com a mesma dinâmica à missão de se embrenhar na nova música para big band. Mas fá-lo com uma outra maturidade, a de quem tem cultivado a música de muitos dos compositores mais importantes para a formação; com a experiência de quem acompanha solistas lendários e com eles viaja em digressão ao país berço do jazz; com o arrojo de quem se apresenta ao lado de orquestras sinfónicas, quartetos de cordas ou cantoras de world music. São estas qualidades que dão finalmente espaço a um projecto da dimensão do Jazz Composers Forum. A OJM assume-se como um autêntico fórum de compositores, um instrumento ao serviço da nova música e da sua divulgação. Traz ao público o que de mais interessante se faz em várias latitudes para este tipo de formação, e coloca em confronto (ou em diálogo) as várias correntes estilísticas.

     

    Do lado de lá do Atlântico vêm propostas musicais bem distintas que dão um novo sangue à música para grande ensemble: uma curiosa mistura entre jazz vanguardista e a música popular de várias épocas, com Steven Bernstein e a sua visão contemporânea sobre as territory bands; a reformulação sofisticada da sonoridade da big band com Darcy James Argue, que lhe introduz texturas oriundas da música pop/rock; um repertório singular sem conotações estilísticas com o argentino Guillermo Klein, passando pela desmontagem de ritmos tradicionais sul-americanos, música clássica do século XX ou o formato canção; ou ainda as inúmeras facetas do americano/suíço Ohad Talmor, compositor que se firma na tradição para propor novas vias para o jazz contemporâneo.

     

    A Europa está representada com dois compositores que se destacaram pela fundação e direcção de duas das mais prestigiadas big bands do continente: o francês Pierre Bertrand, líder da Paris Jazz Big Band e um verdadeiro mediterrânico, e o belga Frank Vaganée, melodista inspirado que dirige a Brussels Jazz Orchestra. A estes juntam-se dois nomes que são frequentemente notados pela forma como contornam todas as fronteiras estilísticas da forma mais sofisticada: o britânico Julien Argüelles e o alemão Florian Ross.

     

    Para além de apresentar o repertório mais significativo de cada um destes autores, em concertos monográficos com lugar no Cine-Teatro Constantino Nery em Matosinhos, a OJM vai mais longe e encomenda-lhes novas composições que interpreta em primeira mão. Estas oito composições serão mais tarde reunidas e editadas num CD que documenta as mais frescas sugestões musicais de uma elite de criadores, moldadas por esta vintena de músicos que há 15 anos se reúne semanalmente entre Matosinhos e o Porto.

     

    Nos próximos anos mais haverá. A intenção é prosseguir com consequentes edições do Jazz Composers Forum, com novos convidados, afirmando-se a OJM e a cidade de Matosinhos como porto seguro da nova música para big band.