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  • Guillermo Klein
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    (AR)
     
    Se a música do argentino Guillermo Klein é jazz ou não, essa não é a questão realmente importante (o próprio afirma que não é um compositor de jazz). O que surpreende na música que escreve para o seu ensemble é a enorme individualidade do seu estilo, que não se enquadra em nenhum género, isto vindo de um músico formado na Berklee (Boston) e unido a solistas destacados da cena nova-iorquina dos anos 90. Nesta formação contam-se nomes como Jeff Ballard na bateria, Chris Cheek no saxofone, Ben Monder na guitarra e Miguel Zenón no saxofone, só para referir os nomes mais conhecidos. E nada da música tocada por Los Guachos – assim se chama o ensemble – se parece com o que fazem estes nomes nas suas carreiras artísticas entretanto consagradas.
     
    O que leva então os músicos a tocarem devotadamente as composições de Klein, que insistem em fugir ao sucesso comercial? Provavelmente o facto de considerarem que se trata de uma das vozes mais singulares no âmbito da composição, com uma abordagem rítmica original, que parte dos ritmos tradicionais argentinos e explora métricas desafiantes – assim o afirma Ben Monder. Ou o facto de se tratar de uma banda comunitária, onde não há honorários para o líder e frequentemente se toca apenas por prazer – testemunho do líder. O que é facto é que Klein conquistou o apreço de músicos nova-iorquinos de topo durante o período em que se apresentava regularmente nos clubes da cidade, até partir em 2000. Desde então tem vivido na Argentina e em Barcelona, mas regressa periodicamente a Nova Iorque para apresentar a música escrita para Los Guachos.
     
    Enquanto estudante de música, Guillermo Klein absorveu a música de Bartók, Ginastera ou Bach, depois descobriu Duke Ellington e Wayne Shorter em Boston, quando se diplomava em composição. Tudo isto se ouve na sua música: basta pensar num tema como “Vaca”, que começa com uma melodia popular argentina para culminar em excertos de uma peça de György Ligeti. Ou nas canções que ganham a voz do próprio compositor, como se ouve no mais recente álbum Carrera, de 2012. Aqui surgem também arranjos sobre música clássica argentina do século XX, sobre tango, desafios métricos de complexa execução mas audição natural, tal como se revela natural a presença destes ritmos na música popular. Ou mesmo o recurso a técnicas medievais como o hoqueto, levada ao extremo quando uma melodia é repartida nota a nota entre diferentes instrumentos. A música de Klein é sempre meticulosa, mas o que transparece é a clareza e o significado sólido que não tardam em conquistar o ouvinte.
     
    Nascido em Buenos Aires, em 1970, Guillermo Klein não tinha antecedentes musicais na família. Descobriu a vocação na escola primária e estudou guitarra e piano. Tocou rock na guitarra e veio a ser expulso do conservatório por ter dificuldades de leitura. Entrou na Berklee College of Music, em Boston, para estudar composição, disciplina que leccionou no País Basco em anos mais recentes – no Centro Superior de Música Musikene.