BILHETES À VENDA NO CINE-TEATRO CONSTANTINO NERYACERCA DO JAZZ COMPOSERS FORUMVER PROGRAMA COMPLETO
  • Steven Bernstein
  • Steven Bernstein

    (US)

     

    Se algum dia se provar a controversa afirmação segundo a qual o jazz está morto, será provavelmente Steven Bernstein o músico com poderes para o fazer regressar ao mundo dos vivos. O trompetista norte-americano apercebeu-se destes seus “poderes” quando liderava a sua banda Sexmob, criada em 1995, interpretando essencialmente os seus originais. Num programa especial dedicado ao cinema, levou a sala ao êxtase com o tema de James Bond. Apercebeu-se então de que o público se sintonizava bem melhor com a performance quando reconhecia o tema de base. A partir daí, passou a explorar canções conhecidas de Prince, Grateful Dead, Rolling Stones, Nirvana e outras com melodias suficientemente fortes para resistirem às desconstruções da banda. No fundo, regressou àquilo que sempre foi a tradição do jazz e que trouxe a popularidade a Charlie Parker, Lester Young ou Miles Davis: o recurso à música popular da sua época para conquistar o público e, a partir daí, trazê-lo para um novo universo estilístico. E este universo é tão actual no caso de Bernstein como o foram os daqueles artistas que marcaram a história do jazz noutros períodos.
     
    O princípio que está na base de tudo isto é simples: nunca esquecer o divertimento quando a música é jazz. É também isto que acontece na Millennial Territory Orchestra, dirigida por Steven Bernstein, que procura pérolas perdidas entre o jazz dos anos 20 e 30, tão facilmente como desintegra o funk/soul de Sly Stone ou Stevie Wonder, ou mesmo as canções dos Beatles, transportando tudo isto para uma linguagem entre o free jazz e os grooves originais, onde impera a improvisação, o imprevisto e a comunicação em palco. E, naturalmente, evocando as “territory bands” que circulavam através de várias regiões dos Estados Unidos desde a década de 1920: formações com cerca de dez elementos que eram autênticas bandas de “covers”, interpretando os êxitos da época e popularizando a música de dança de então. Bernstein é um artista em constante demanda pelas músicas esquecidas do jazz, e por um jazz em permanente renovação.
     
    Steven Bernstein toca trompete de vara, e também o mais comum trompete de pistões. Para além dos projectos já mencionados, tem gravado em nome próprio para o ciclo “Radical Jewish Culture Series” da editora Tzadik de John Zorn, e é um compositor conhecido também pelas partituras para dança, teatro e cinema – a primeira banda sonora que assinou foi para Kansas City (1996), de Robert Altman. Tem sido repetidamente reconhecido pelas tabelas dos críticos da revista Down Beat, e é indiscutivelmente um dos artistas mais originais do jazz norte-americano das últimas décadas. Nasceu em 1961 e tem tocado com grandes nomes do jazz como Don Byron, Roswell Rudd e Sam Rivers, e também com Aretha Franklin, Lou Reed ou Sting, para além de bandas como The Lounge Lizards e Spanish Fly. Os seus préstimos como arranjador são requisitados por músicos como Bill Frisell, Marianne Faithfull e Elton John. Como membro da banda de Levon Helm, escreveu os arranjos para o disco Electric Dirt, de 2009, premiado com um Grammy. A sua gravação mais recente é Sexmob plays Fellini (2013).